2º Eduque – Meu filho, meu legado

Quem nos acompanhou semana passada percebeu o quanto estávamos envolvidas com a nossa participação no 2º Eduque – Meu filho, meu legado, evento sobre educação realizado pela Igreja Batista do Morumbi no último sábado (27/05). Pois então, não tenho outra palavra para descrever o sentimento senão gratidão! Nós e certamente as quase 250 pessoas presentes no evento fomos presenteadas com ricos conhecimentos e dicas sobre a desafiadora arte de educar filhos. Luciano Vilaça, Cris Poli e Rivanildo Guedes nos levaram, todo o tempo, a refletir e repensar inúmeras das questões fundamentais que alicerçam a educação de nossos pequenos.

Fizemos um apanhado de cada uma das palestras e iremos compartilhar com vocês informações e dicas que tanto nos enriqueceram. Vamos lá?

Luciano Vilaça

O autor do livro De Pai para Filho (tem resenha aqui) abriu o congresso dizendo que os pais precisam ser sadios para gerar e educar filhos saudáveis. E logo no início chamou a atenção das mães de meninas: “A relação mãe e filha é a mais complexa dos relacionamentos humanos, pois varia entre o amor e o ódio”. Segundo Luciano, somos moldados a partir das palavras, especialmente as pronunciadas pela mãe. Por isso a relação mãe e bebe é tão importante, uma vez que a figura materna é responsável por modelar todas as nossas interações e interlocuções por toda a vida.

Luciano diz que uma mulher que teve problemas com a sua mãe certamente terá dificuldades para lidar com a sua filha, pois esta mãe depositará na sua filha as suas frustrações, inquietações, decepções mal resolvidas que vivenciou com a sua mãe. E, por sua vez, as filhas acabam se rebelando contra a mãe, ainda que haja uma forte tendência de serem semelhantes no modo de se relacionar, se comportar e, inclusive, de lidar com os próprios filhos.

Já o pai tem um papel primordial no desenvolvimento dos filhos. Sua missão é de dar limite à mãe e ao bebê e cortar o cordão umbilical entre ambos. O pai tem que ser próximo, pegar o filho do colo da mãe e levá-lo para fora da casa, para o mundo público. O pai é quem dá a agressividade benéfica ao filho, segundo o preletor.

Quando a presença do pai inexiste, há uma perda irreparável na vida dos filhos e, não à toa, os adolescentes e jovens que não tiveram a presença do pai na sua educação ou quando essa presença foi conturbada há grandes chances deste filho se envolver com drogas, álcool e seguir o caminho do crime, roubo. Contudo, o autor chama a atenção dos pais que mantém uma ‘falsa’ presença na vida do filho, pois uma ‘presença’ distanciada, sem participação e envolvimento ativo na vida da criança, é pior, pois traz um senso de abandono infinitamente maior ao filho.

Luciano afirma ainda que, diante de tamanhas complexidades, os pais precisam seguir uma lógica que inclua a emoção e o diálogo capaz de conciliar o hemisfério esquerdo do hemisfério direito do cérebro. Ou seja, o pai precisa trazer dimensões femininas, e a mãe o contrário. Ao pai cabe extravasar a sua feminilidade no sentido de dar amor, carinho e a atenção que o filho precisa, mas sem perder a autoridade. E, por sua vez, a mãe precisa manter a doçura e amabilidade no trato com seus filhos, mas quando se trata de mãe de menino, por exemplo, ela precisa demonstrar gestos e palavras que afirmem a sua masculinidade. Segundo o autor, pais e mães precisam ser: “forte sem ser rude, sensível sem ser fraco, firme sem ser mole, bom sem ser bonzinho, oportuno sem ser oportunista, interessado sem ser interesseiro”

Quanto à amizade entre pais e filhos, ele diz: há momentos em que é possível, mas nem sempre. Algumas situações exigem uma postura de autoridade dos pais que extrapolam as paredes da amizade. Em muitos momentos não é possível ser amigo do filho e a figura dos pais, na sua essência, deve prevalecer. Entretanto, “a autoridade dos pais para os filhos deve ser regida com intimidade. Partilhar, dentro dos limites, a vida, é ponto crucial neste processo. É preciso trazer para perto, abraçar, estar junto”.

Segundo o preletor, somos pais a partir dos legados que temos, dos modelos e representações que recebemos dos nossos pais. A partir disso, internalizamos o nosso jeito próprio de ser como pai e mãe. Isso explica porque geralmente pais muito rígidos geram filhos que se tornam pais excessivamente liberais por não querer repetir os erros dos seus pais.

“Considere a história do seu filho e a sua: em que contexto ele nasceu e como foi a sua relação com os seus pais e irmãos. Procure compreender estas questões e olhe para si mesmo antes de julgar ou punir seu filho por um comportamento que você desaprova, pois isso diz muito de você”. E completa: “Peça perdão se você errou; isso não esvazia a sua autoridade; comunique com ternura; viva uma parentalidade afetiva… mulheres não podem ferir a autoridade do marido na frente do filho, isso esvazia a disciplina, pois desautorizar o pai é desautorizar a si mesma. A fala da mãe deve legitimar a autoridade do pai”.

“As mães não deixam o filho ir pra guerra, isso é coisa do pai”, brinca Luciano, explicando que as mães têm dificuldade de permitir que seus filhos tomem seu destino. Criar meninos para serem homens fortes e seguros carece da presença de um pai igualmente forte, pois são os modelos identificatórios do filho. Segundo ele, mães muito fortes e pais fálicos podem gerar filhos doentes.

Para finalizar, Luciano descreve que uma relação harmoniosa entre pais e filhos não é um acontecimento espontâneo e natural, mas que antes “exige crescimento, é um trabalho a ser feito e um caminho a ser percorrido, demanda autoconhecimento, fineza, ternura e muita sensibilidade”.

Cris Poli

Cris Poli nos trouxe à memória uma frase dita no 1º Eduque e que devemos seguir neste caminho complexo da maternidade e paternidade. “Educar é uma arte que deve ser aprimorada, aprendida, desenvolvida e aplicada com amor e limites para ser bem sucedida”.

Autora do livro Atenção! Tem gente influenciando seus filhos (veja a resenha que fizemos aqui), Cris Poli diz que educação é vida, e que nela transferimos todos os princípios e valores que aprendemos aos nossos filhos. Aliás, é nesta relação do dia a dia que interagimos, brincamos, é o tempo inteiro passando princípios de vida… na maneira de falar, reagir diante as situações, cada atitude, gesto, num limite imposto, enfim, tudo o que fazemos imprimimos modelos de comportamento. E os filhos nos imitam em tudo.

Por isso, e também como bem nos alerta Luciano Vilaça, Cris Poli nos chama a atenção para, antes de punir o nosso filho por um mau comportamento, precisamos voltar a nós mesmos e rever os nossos próprios comportamentos diante da criança, pois muito provavelmente trata-se de um comportamento imitativo. “Às vezes a gente quer tanto mudar os nossos filhos, mas geralmente a grande mudança deve estar em nós mesmos. Mude e verás a diferença”.

E de um modo bastante prático como ela é como apresentadora do Supernanny, nos dá algumas dicas:

  • Não use perguntas quando se trata de uma ação que seu filho tem a obrigação de realizar. Banho, por exemplo. “Filho, você quer tomar banho?”. Não faça isso e, ao invés, diga com firmeza: “Vamos para o banheiro, é hora do banho”.
  • Autoridade e responsabilidade caminham juntos na educação. A responsabilidade na criação dos filhos é dos pais e não da babá, empregada, vovó, escola.
  • Doe tempo de qualidade aos seus filhos e deixe marcas na vida deles.
  • Respeite as crianças e as deixem brincar. É uma necessidade delas. A brincadeira ensina a socializar, desenvolver a criatividade. Muitos pais confundem respeito com medo, e o medo paralisa. Não faça isso!
  • Toda criança precisa de disciplina e, para isso, a rotina é indispensável.
  • Respeitar as individualidades de cada filho e conviver com eles para identificar e desenvolver as habilidades de cada um é importante.
  • Precisamos elogiar nossos filhos porque o elogio sincero ao que eles têm de bom fortalece a autoestima. “Há poder nas nossas palavras, então devemos tomar cuidado para não acabarmos com a autoestima de uma criança”.
  • A autoridade não deve ser imposta e sim conquistada. Criança não obedece pais autoritários, mas pais com autoridade.

Rivanildo Guedes

O último preletor do evento, o pastor e escritor Rivanildo Guedes, falou com propriedade sobre As faces do pecado, a Bíblia na formação dos filhos. “Nós precisamos resgatar o direito de a Bíblia ter o que dizer sobre a educação dos nossos filhos. Precisamos levantar a nossa voz para falar sobre o que nós, cristãos, cremos”.

Ele citou o salmo 51.5: “Pois sou pecador desde que nasci, sim, desde que minha mãe me concebeu” para embasar a sua palestra e contextualizar a relação do homem com o pecado. Segundo Rivanildo, precisamos enxergar o pecado como chave para compreendermos os nossos filhos. “A priori, pecado não tem a ver com mentira, desobediência, fazer birra, mas com a carência profunda de Deus”.

Para ele, “a política e a educação são importantes, mas limitados e insuficientes para ajudar a educar os nossos filhos”. Rivanildo cita o apóstolo Paulo que nos ensina que o único que vai ajudar a redimir os nossos filhos é Jesus Cristo. Por isso, “precisamos reajustar o nosso foco, o nosso olhar e recolocar as nossas expectativas onde, de fato, devem ser colocadas, em Jesus Cristo”, diz.

E como iremos, com a graça de Deus, influenciar positivamente a vida dos nossos filhos? “O mal precisa ser confrontado. Ser pai e mãe não é passar a mão na cabeça do filho, mas disciplinar, e o caminho da transformação segue duas premissas que devem andar de mãos dadas: a exortação e o encorajamento. Exortação para chamar a atenção do problema, e encorajamento para mostrar ao filho que ele tem capacidade para fazer diferente”, conclui o pastor.

E assim o 2º Eduque termina, com muita informação, conhecimento e a certeza de que devemos buscar em Deus a sabedoria capaz de nos dar condições de educarmos nossos pequenos no caminho do Senhor, com a ternura e o rigor necessários.

E que venha o 3º Eduque!

2 comments

  1. Vanessa Araujo Botelho says:

    Meninas, amei a pagina de vocês! Estou seguindo! E obrigada pos este post mais que completo do 2 Eduque!! Está cada ano melhor né…e como vcs disseram, e que venha o 3 Eduque. Bjs

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