8 dicas para lidar com as influências externas na educação dos filhos

Muitas são as influências externas que impactam a vida de nossos pequenos, e mero engano achar que blindá-los os livrará de todo e qualquer mal. Aliás, acredito que devemos buscar o equilíbrio para evitarmos aprisioná-los demais, o que tende a gerar muitos prejuízos ao desenvolvimento da criança. No entanto, nem sempre é simples afastar os maus exemplos, pois eles podem vir de todos os lados: família, amigos, escola, mídia…

Mas, é que eu sempre digo, embora os filhos não venham com manual, podemos sim buscar ajuda e conhecimento em fontes que são referências no assunto, como ela: Cris Poli, que com sua larga experiência no programa Supernanny, do SBT, aborda questões do dia a dia de uma maneira muito direta e prática. Em seu livro Atenção! Tem gente influenciando seus filhos, ela orienta pais a enfrentar as mais variadas interferências que impactam a vida dos nossos pequenos. O livro é delicioso de ler e nos traz diversos alertas. Procurei aqui, de uma forma geral, abordar cada um dos 8 tipos de influências que Cris aponta como os mais frequentes. Mas se você quiser aprofundar com um deles, vale ler o livro. Eu recomendo!

Vamos lá! Como lidar com a influência…

1.  Dos avós

Já dizia o ditado: avós são pais com açúcar. E, de fato, já criaram seus filhos e encontram-se numa posição mais ‘tranquila’ com relação à educação. Por isso, acabam sendo mais liberais, permissivos e até divertidos do que foram na criação de seus filhos. Os netos? Amam essa relação. A questão é quando os avós extrapolam os limites aceitáveis pelos pais.

Cris Poli aponta o diálogo entre pais e avós essencial para manter uma boa relação. E, no caso de discordância, deve prevalecer a opinião dos pais, e os avós devem entender que a decisão final deve ser deles, os responsáveis por estabelecer os limites na educação de seus filhos. O pai e a mãe, ainda que errem, e certamente irão errar, devem ser respeitados pelos avós, pois eles precisam amadurecer e se desenvolver na missão de criar filhos. Exceto em situações de abuso como agressões, xingamentos e hostilidade, os avós podem interferir, caso contrário, o aconselhável é que eles conversem, orientem e compartilhem da sua experiência, mas sem interferir na educação.

Quando os pais optam por deixar os filhos o dia inteiro com os avós, é necessário conversar tanto com eles sobre a rotina da criança, quanto com os filhos, alertando-os sobre as regras de conduta a serem seguidas na casa dos avós.

Já quando os netos vão dormir na casa dos avós para quebrar a rotina dos pais, é diferente. O momento permite curtição e até extravagâncias, que não tendem a afetar a rotina e os hábitos dos netos, pois a “educação que os pais lhe dão é muito mais forte em relação àquilo que ele experimenta quando dorme na casa dos avós… Essas ocasiões esporádicas com os avós são saudáveis e não têm nada de mais; pelo contrário, são vivências tão gostosas que ficam marcadas para a vida inteira”.

2.  De parentes

O relacionamento entre tios, primos, sobrinhos é importante. No entanto, é preciso que os pais estejam atentos às influências negativas que essas relações podem trazer aos seus filhos e lembrar-se que: “Apenas pai e mãe impõem o ritmo, dão as orientações e têm a última palavra”.

Quando os pais adotam uma postura de unidade e se posicionam com autoridade e convicção sem desautorizar um ao outro, o filho tem um referencial sólido que não é quebrado facilmente. “Ele pode até pensar ou achar que a opinião do tio ou do parente é melhor porque lhe convém, mas, se vê o pai e a mãe agirem de forma consistente, não se deixará levar por qualquer embaraço, pois sabe a quem deve obedecer”.

Os pais não devem ter receio em se posicionar, o mais importante é a sua atitude em relação à educação de seus filhos. Falatórios ou reações contrárias sempre vão surgir, então, não leve em consideração se os comentários não forem construtivos e pelo bem da sua família.

3.  Da escola

A escola é o segundo lugar onde a criança mais sofre influência, perde apenas para o ambiente familiar. Afinal de contas, é lá que os pequenos passam a maior parte do tempo quando não estão em casa. Por isso a escolha da escola deve ser criteriosa e levar em consideração se a linguagem e o discurso adotados são parecidos com os que os pais usam em casa. Escola e família devem ser parceiras, sempre!

Cris Poli destaca o valor de os pais conhecerem não somente as características pedagógicas e acadêmicas, mas, sobretudo, os aspectos comportamentais e de convívio social. “Procure saber também quais são a linha de pensamento, os valores e os princípios da instituição, pois tudo isso será transmitido ao seu filho. Ao longo do tempo, todo o conteúdo ensinado influenciará a formação do caráter e da personalidade da criança”. Entretanto, ainda que a escola tenha um forte poder de influência, é em casa que a educação, os valores e os princípios devem ser ensinados. “Educação vem de casa e vai para a escola, e não o contrário”.

4.  Dos amigos e de suas famílias

Desde cedo, já na escola, nossos filhos têm de aprender a lidar com ideias contrárias e formas diversas de enfrentar a realidade. “Quando a criança tem uma base sólida no lar, com pais presentes, que dialogam e abrem espaço na agenda para lhe dar a devida atenção, ela consegue interagir com mais desenvoltura e segurança diante de pessoas, conceitos e situações que se apresentam no dia a dia. É nesse cenário de pluralidade de concepções que o pequeno selecionará quem fará parte de seu ciclo de amizades, aquelas crianças com quem trocará experiências, vivências e pensamentos”.

Quando os laços de relacionamento entre pais e filhos são bem construídos, os filhos aprendem a lidar com as diferenças de opinião entre amigos e familiares e sabem respeitá-las, sabendo que os ensinamentos adquiridos em casa devem prevalecer em sua forma de pensar.

5.  De televisão, cinema, literatura, vídeo games e outras mídias

“Tudo o que a criança consome como informação lhe afeta o desenvolvimento, a personalidade, o modo de pensar, a postura e o caráter”. O consumo indevido e excessivo da mídia pode provocar em uma criança implicações variadas como caráter corrompido e personalidade violenta, irritadiça, desonesta, imoral, escandalosa e impaciente. Então, não é aconselhável deixar seu filho o tempo todo diante da televisão, do computador, do celular. Ele precisa desenvolver outras atividades que exijam movimento físico e interação social.

Mas é claro que nem tudo é ruim e prejudicial, há produtos interessantes nas mídias, mas precisamos estar bem atentos para avaliar o tipo de conteúdo com o qual deixamos nossos filhos se alimentarem. É preciso supervisionar, mas sem cair no erro de ser opressor.

6.  Da propaganda e outras ferramentas da sociedade de consumo

“Propagandas são produzidas com a intenção de convencer o público, infantil ou não, a comprar o que está sendo anunciado… mas o pai e a mãe podem e devem ajudar os filhos a reconhecer o próprio valor, a despeito do que possuem, sem desenvolver uma mentalidade consumista e sendo responsáveis financeiramente”.

Cris Poli é enfática neste quesito: “Se seu tem passado a maior parte do tempo livre assistindo à televisão ou navegando na internet, está na hora de acordar, pois ele está sendo mais influenciado por terceiros do que por você e seu cônjuge”. A autora orienta os pais a estabelecer limites e uma rotina de horário para a criança assistir televisão e jogar vídeo game. O tempo livre pode e deve ser preenchido com outro passatempo, de preferência algo que estimule a criatividade, o desenvolvimento da criança e, em especial, o tempo de qualidade entre pais e filhos.

Outro ponto importante é ensinar seu filho a lidar com o dinheiro (mesada) e ser grato pelo que tem. Esta é uma ótima forma de torná-lo mais forte para resistir às tentações midiáticas.

7.  Da internet

A internet é um mundo que se abre por meio da tela do computador ou do celular, com muito conteúdo bom, mas muitos outros ruins e viciantes. Por isso, imponha limites para o uso, crie uma rotina diária, supervisione o que seu filho navega (e, porque não, instale programas de controle e bloqueio de sites no computador para que você saiba por onde seu filho anda virtualmente).

E, em especial, aos pais: é preciso ter domínio próprio para não abusar do uso da internet na frente dos seus filhos. Os pequenos seguirão os seus passos e não adianta cobrar aquilo que não se dá o exemplo.

8.  Do Cônjuge discordante

O primeiro passo a fazer quando você discorda do seu cônjuge na maneira de educar seu filho, é investir em uma conversa sincera para alinhar e equilibrar a educação e os mecanismos que utilizarão para construir neles um caráter forte e sadio.

“Casais que vivem em discordância na frente das crianças transmitem a elas uma mensagem negativa, pois desacordos geralmente precedem discussões”, e qualquer tipo de agressão entre os pais trazem problemas emocionais aos pequenos, que se sentem machucados, pois não entendem a razão da briga. Então, converse a sós e longe das crianças, de maneira amigável. Essa atitude exige maturidade dos pais, mas é indispensável para que as coisas fluam bem em casa.

Somos todos seres humanos e, portando, passíveis de erro. Todos nós! Portanto, não tenha receio de pedir desculpas e perdão ao seu filho se você errou de alguma forma. Seu filho vai aprender a fazer o mesmo.

Uma situação delicada, mas que exige maturidade dos pais é nos casos de separação. A criança não tem nada a ver com a decisão dos pais que, juntos ou separados, o filho continua a ser parte dos dois. Por isso, e visando ao bem da criança, devem entrar em um acordo de paz e fazer todo o esforço possível para se portarem harmoniosamente diante dela.

Pai e mãe, sempre o melhor exemplo

Alinhar as diferenças entre si, seguir o mesmo discurso, manter atitudes similares, nutrir o diálogo sempre como principal ferramenta, são questões imprescindíveis que os pais devem consolidar para que os filhos cresçam num ambiente sadio com valores e princípios muitos bem definidos. As influências externas sempre existirão, mas quanto mais a família estiver centrada na educação genuína, verdadeira e amorosa, mais fortes e seguros os filhos se tornarão e ‘blindados’ contra os males.

“A formação de um caráter respeitoso surge da convivência diária com pais que falam a verdade e são amorosos, éticos, justos e autênticos. Isso ajudará a criança a se posicionar firmemente diante das pessoas, a expressar o que aprendeu em casa e aquilo em que acredita, sem medo de que seus interlocutores pensem de modo diferente. Na prática, é saber se posicionar com firmeza diante de amigos discordantes, sem se tornar um ‘maria-vai-com-as-outras’ ”.

Cris Poli, no transcorrer de toda a sua obra, não economiza palavras para reforçar a questão que considera crucial em todo este processo de educação de filhos e que contribui diretamente para a formação do caráter das crianças: o valor de educarmos segundo os valores e princípios bíblicos. Aliás, muito sabiamente o livro de Provérbios na Bíblia nos ensina: Instrua a criança segundo os objetivos que você tem para ela, e mesmo com o passar dos anos não se desviará deles (22.6).

By @anappiedade

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