Você é a mesma mãe para seus filhos?

É possível os mesmos pais criarem seus filhos da mesma forma? Fiz esse questionamento algumas vezes, principalmente antes de me tornar mãe, e sempre fui levada a buscar justificativas baseadas nas diferenças de personalidade e jeito próprio de cada filho. Digo que fui levada porque venho de uma cultura na qual os pais não se permitiram reconhecer as suas próprias dificuldades, deficiências e momentos da sua vida, fossem bons ou ruins, que pudessem impactar na criação de seus filhos.

É claro que quando temos mais de um filho devemos considerar as diferenças de temperamento, personalidade, habilidades, gostos de cada um, enfim, individualidades que delineiam, ou deveriam, delinear a maneira como os pais lidam com cada filho. Certo! Mas o fato é que hoje, como mãe de dois, sou levada a crer que não apenas as diferenças entre os dois tornarão a educação que dou a eles diferente uma da outra, mas, em especial, tudo o que diz respeito a minha própria pessoa. E é sob esta perspectiva que decidi escrever este post.

Um belo dia o teste dá positivo e passamos a viver um momento único e mágico à espera daquele que mudará as nossas vidas. O bebê nasce no mesmo instante em que surgimos como pai e mãe. Um turbilhão de emoções, dúvidas, amor e ‘desespero’ vêm junto. O primeiro filho chega e tudo se volta para ele: a disponibilidade integral da mãe, a paciência, um amor incondicional inimaginável, assim como também o medo, a ansiedade, a dúvida.

Teste positivo novamente e quem chega agora é o segundo filho. Expectativas semelhantes, mas tantas outras diferentes. Comigo foi assim. Com o primeiro a preocupação foi grande com o desconhecido: a decoração do quarto, o enxoval, a escolha da maternidade, o tipo de parto….. Não que outros fatores não me importassem… passei a ler sobre maternidade, amamentação, puerpério, mas com o segundo foi diferente, pois as experiências, os dramas e as aventuras, em grande parte, já não eram mais novidades e, assim, com o segundo filho, nascia uma outra mãe, agora mais segura, prática e menos dramática. Conclusão: filhos de uma mesma mãe, mas uma mãe emocionalmente diferente para cada filho!

Ah, e se não bastasse o emocional…  tantos outros aspectos foram diferentes na época do nascimento de cada um deles: profissional, financeiro, ambiental, espiritual, cultural, o próprio relacionamento entre eu e meu marido, qualidade e estilo de vida,  dificuldades, aprendizados… variados fatores que, unidos, contribuem para a construção da personalidade de qualquer pessoa.

Os filhos nascem em momentos distintos da vida dos pais, isto é fato, e não podemos desconsiderar isto e achar que o momento em que estamos vivendo, as ideias que mudaram ao longo do tempo, os novos valores que foram incorporados, a visão diferente de mundo que adquirimos, a facilidade ou a dificuldade de encarar a vida após um grande trauma, enfim, tudo isso impactará diretamente no modo como lidamos com nossos filhos.

Então, acho que um filho nunca será criado de forma igual ao outro. No máximo com critérios parecidos, mas ainda assim haverá diferenças. Um novo filho, um novo pai, uma nova mãe, com uma mente e momento de vida particular.

Bom, só sei de uma coisa: sou uma mãe imperfeita que busca educar os meus pequenos com o meu melhor, e, embora os critérios que eu adotei, adoto e adotarei para criá-los possam ser distintos, até porque a própria diferença de idade deles já carrega em si esta questão, sei que sou uma mãe em formação e que minha vida e a bagagem que eu carrego impactarão diretamente na vida deles, para toda a vida. Por isso, eu peço diariamente sabedoria a Deus, aquela capaz de me ajudar e me capacitar a cumprir esta complexa missão que é de educá-los.

By @anappiedade

2 comments

  1. Daniel Dantas says:

    Gostei do post. Sim, revela aspectos fundamentais: o reconhecimento de um processo de amadurecimento, a realidade de que educar filhos não tem uma receita pronta e a coragem para admitir que não se nasce pronto para ser pai/mãe: é algo que a gente se torna, a gente se forma ao longo de toda a trajetória que apenas inicia com o teste positivo de gravidez. Parabéns, Ana. Siga colaborando para uma maternidade/paternidade com e como propósito. A propósito, já assistiu o filme O Poderoso Chefinho (Baby Boss)? Vale para trazer uma reflexão sobre a paternidade/maternidade. Inclusive a partir da perspectiva do irmão mais velho e da cultura e valores vigentes. Segue o link para o trailer: http://bit.ly/2tWoBNF

  2. Ana Paula says:

    Dani, obrigada por estar aqui, pelas contribuições e pelo apoio que sempre nos deu.
    Ah, e que legal a dica do filme, ainda não assisti, mas irei. Obrigada!

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