Paralimpiadas e suas lições


As Paralimpíadas nos presenteiam com grandes lições
 
Enquanto assistia ao jogo de futebol entre Brasil e China semana passada nas Paralimpíadas, meu filho Gustavo, de 4 anos, movido pela curiosidade que percebo cada dia mais aguçada e pela paixão que demonstra por esporte, começou a me explicar que os jogadores não enxergavam e por isso usavam uma “fita amarrada nos olhos”, e que a bola tinha um sininho que tocava para que eles conseguissem saber quando a bola estava por perto. “Sério, filho?”, perguntei enquanto me dava conta da oportunidade que eu tinha a frente para explorar aquela conversa. “Sim, o papai me disse”, respondeu. E neste momento, decidi parar o que estava fazendo e sentei ao seu lado para assistir ao jogo que, até então, não prendia a minha atenção.

Rapidamente lembrei-me de como as Olimpíadas tinham nos proporcionado deliciosos momentos em família e as valiosas oportunidades que tivemos para comentar com ele sobre o Brasil (o de bandeira verde, branca, azul e amarela) e aqueles outros países de bandeiras de cores tão diferentes; as várias modalidades de esportes; o modo como torcemos pela conquista da medalha de ouro, mas vibramos quando ganhamos prata e bronze e nos alegramos quando, mesmo sem qualquer vitória, nossos atletas muito bem nos representaram. Foi uma experiência muito bacana que tivemos em família.
No entanto, reconheço que após o término das Olimpíadas, até porque eu havia permitido que outras responsabilidades consumissem o meu tempo, eu não havia dado continuidade àqueles preciosos momentos durante os Jogos Paralímpicos. Mas foi naquele instante que percebi que, mais do que falar de países, bandeiras e medalhas, eu poderia falar da realidade de pessoas que superam suas deficiências e limitações físicas e que são vencedoras apenas por estarem ali, representando os seus países em competições que mostram mais do que atletas, mas indivíduos vitoriosos em suas lutas e capazes de nos emocionar com tamanha garra e persistência. É claro que quando converso com meu filho que tem apenas 4 anos busco uma linguagem simples e objetiva, como deve ser quando conversamos com crianças (aliás, pretendo fazer um post sobre o quanto é importante conversarmos com as crianças e como elas surpreendentemente nos ouve e entende), mas acho que não devemos perder momentos como este para seguirmos plantando sementinhas.
E ficamos ali, desfrutando desse tempo juntos e “conversando”, como ele mesmo gosta de dizer. Ao término do jogo, vibramos com a vitória do Brasil por 2 a 1 sobre a China. Já era fim de tarde, e então fui para a cozinha preparar o jantar. De repente, ele se aproxima de mim e diz: “Mamãe, você acredita que eu vi umas mulheres jogando basquete na cadeira de rodas? Que demais, não é?!”. E neste instante, meu coração se encheu de alegria.

Por Ana Paula Piedade

 

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